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Contos do Vigário

Contos do Vigário

Luas, Oceanos e Bebés

 

E porque tenho ouvido muitas crenças desde que a minha mulher ficcou grávida que tenho escrito, desde essa altura, diversos textos a descontruí-las. Hoje vou recuperar um texto sobre a crença mais comum: a lua influencia os nascimentos porque, se influencia as marés, também influencia o líquido amniótico. E porque não influencia outros líquidos corporais como o sangue, a saliva ou a urina? Não sei. E o que falar dos jacuzzis, das piscinas e dos garrafões de água? 

 

Há muitas crenças relacionadas com os efeitos da lua. É comum ouvir-se dizer que nascem mais bebés nas noites de mudança de fase de lua ou de lua nova. Uma das frases que mais ouço para sustentar esta ideia é a de que “Se a Lua é capaz de agir nas enormes massas de água dos oceanos, como ela não teria efeito sobre os líquidos no útero da mãe ou sobre outros fluidos corporais?”. Neste excerto há apenas uma relação entre acontecimentos e uma colagem mal feita a uma crença. Uma inferência tem de ter uma formulação da ideia e não simplesmente uma relação. Trata-se, sem dúvida, de um argumento persuasivo. As pessoas sabem que as marés existem porque já as observaram, no mar sim, mas nunca as observaram num balde.

 

Curiosamente a elevação dos oceanos não se dá apenas do lado da Terra que está voltado para a lua. dá-se, também, no lado diametralmente oposto e ainda existe outra forte influência gravitacional: o sol. A força gravitacional do sol sobre a Terra é cerca de 200 vezes maior do que a força exercida pela lua.

 

O oceano acaba por sofrer diferentes atracções gravitacionais pela lua e pelo sol em diferentes zonas porque é bastante extenso. E são precisamente essas diferentes atracções nos diferentes pontos que geram as marés, mas não há efeito de maré numa região com volume tão pequeno, como é o caso de um balde ou de uma piscina, pois os distintos pontos dessas regiões estão praticamente equidistantes do astro atrator e sofrem, assim, uma força de maré constante em todo o volume de líquido. Como esta força atractiva é feita de igual forma em todo o conjunto que forma o volume, é incapaz de deformá-lo. O mesmo ocorre com líquido no útero da mãe, logo não há qualquer efeito. Entretanto, as marés acontecem em qualquer dia e não apenas nos dias das quatro fases principais da Lua.

 

Um estudo intitulado “Marés, fases da Lua e bebês”, do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mostra um gráfico onde foram verificados cerca de 93 mil nascimentos entre 1967 e 1983. Além deste, há mais de 100 estudos sobre efeitos lunares que falharam em mostrar uma correlação confiável sobre numerosas crenças.

 

Podem ver o texto completo e a tabela do estudo aqui no site AstroPT