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Contos do Vigário

Contos do Vigário

O Celeiro Homeopático

 

Explicar a ausência do efeito da homeopatia recorrendo à realidade molecular não mostra essa ausência a toda a gente. Quem não teve formação em Química dificilmente percebe que uma molécula no meio de um copo cheio de água não tem significado. Isto porque, para muita gente, uma molécula é uma coisa num copo e pode ter algum efeito. Vou, então, recorrer a um exemplo que pode ser experimentado e sentido por qualquer pessoa. Em vez de moléculas do composto activo e de moléculas de água, vou explicar as diluições em celeiros cheios de palha e montes de espigões. Vamos então à experiência: num celeiro colocamos uma generosa quantidade de espigões e 99 fardos de palha.

 

Alguém se atreve a atirar-se para cima da palha sabendo que está lá uma série de espigões? Agora vamos, com um tractor, remexer a palha com os espigões. Depois de mexido vamos tirar uma pá de retro-escavadora e por o conteúdo num outro celeiro. Vamos, então, despejar mais 99 fardos de palha. Já estão mais à vontade para se atirar de cabeça para o monte de palha? Talvez. Façamos este procedimento mais 28 vezes. Isto é o que a homeopatia faz. Dilui 99 gotas de água 30 vezes. Acredito que à 2ª diluição não reste grande quantidade de espigões, tal como moléculas na diluição homeopática. Então, se não tememos atirar-nos de cabeça no 30º celeiro com 99 fardos de palha e como a probabilidade de encontrar um espigão é semelhante à de ganhar o euromilhões várias vezes (ideia retirada daqui), também não tememos envenenar-nos com a mesma diluição, por pior que seja o veneno. Da mesma forma, não teremos qualquer melhoria num medicamento.

 

O post original foi escrito para o AstroPT