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Contos do Vigário

Contos do Vigário

Os Nomes (A Simplicidade é Perigosa)

 

Em qualquer gravidez há um momento de negociação do nome para o bebé e, claro está, surge sempre alguém a dar a sua opinião. Eu adoraria que fosse uma opinião baseada na linguística ou no significado do nome. Mas não, apenas surgem indicações vagas de que é um nome forte ou fraco, seja lá o que isso for, ou que as pessoas com esse nome apresentam determinada personalidade ou energia, que também não sei do que se trata. E eu a pensar que a pernsonalidade era formada pela componente genética e pelas vivências ao longo do tempo. Mas pronto, sendo verdade que os nomes determinam a personalidade, como ficam as pessoas sem nome? Ou como ficam as pessoas que mudam de nome? Não seremos folhas em branco com bases inatas escritas pela genética, mas sim uma folha escrita de acordo com o nome? Não me parece.

 

O nome mais comum em todo o mundo é Mohamed. Lembro-me de, pelo menos, um terrorista chamado Mohamed, ou seja, se o nome dá a personalidade muita gente poderia ter a personalidade daquele terrorista. Mais simples de confirmar a desconstrução desta tese é o caso de eu conhecer duas pessoas com o mesmo nome mas com personalidades muito diferentes, porque a sua componente genética é diferente, assim como as suas vivências e experiências ao longo do tempo.

 

As pessoas sentem uma grande necessidade de controlar tudo à sua volta. Se corresponderem um nome a uma característica de personalidade é mais fácil ver o mundo, deixa de ser tão caótico e sentem-se mais seguras. Estamos perante uma inferência indutiva, que depende de uma estimativa de probabilidade que resulta de um conjunto de observações (onde a probabilidade é baixa e o universo de observações é muito limitado). Se um macaco atira uma pedra, não significa que todos os macacos atirem pedras. Mas se esta associação simplista fosse verdadeira, o mundo podia ser bem mais inseguro, pois poderíamos ter milhões de terroristas chamados Mohamed.